sábado, 22 de agosto de 2009

O que sou?









O que sou?

Corpo e casca.

O que tenho?
Massa.

Trato de cuidar do exterior.

Porque se pudessem ver o interior,não entenderiam o que veriam.

O fato é que não há nada pra ver...Sinto-me vazia.

Uma coisa grande e vazia.

É tão oco, que a casa pulsação sinto-me doer.

Como um estômago com fome.

Sinto fome, mais não posso ser saciada.

Ainda não encontrei um modo de saciar-me sem sua presença.

Cada batimento,

cada respiração ecoa por meus ouvidos, causando tormentos, aumentando as proporções.

Será que ainda lembro de suas feições, sua voz?

Me parece cada vez mais distante, como um sonho talvez.

Sofro por algo agora inexistente ,sofro por não ter algo.

Isso é tão frustrante...

Sofro e não o sei dizer.

Por isso estou inventando a sua presença.

Invento para tentar enganar o vazio.

Mas me engano, que inventando possa aliviar algo.

Vivo no inventado, e -respirando- invento que sobrevivo no real.

Posso fazer o que for, fico cada vez mais oca no instante que passa do vazio de tua presença.

O Teatro Mágico